
| Manaus, 07 de setembro de 2010 | APROVAR - ANO VI - APOSTILA n.° 7 | Apostilas Aprovar V |
| Considerações preliminares |
O vestibular funciona como a face aparente de uma finalidade fundamental que a sociedade atribui à educação: selecionar os melhores para seguir os estudos em nível universitário ou para merecer títulos declaratórios de distinção e prestígio. Essa lógica parece contaminar o grosso das políticas educacionais implementadas no Brasil, determinando, entre outras coisas, certa hierarquização entre tipos de aprendizagem. Normalmente, opta-se pela aprendizagem que posiciona os resultados como projeção no tempo, ou seja, uma aprendizagem capaz de produzir, por seus valores, bons frutos em longo prazo, geralmente na forma de uma capacitação profissional. Em outras palavras: o papel da escola tem sido exclusivamente seletivo e de longo prazo, desprezando o valor formativo dos processos peculiares da escolarização. Reconhece-se, hoje, que a democratização do acesso à formação acadêmica apenas começa pela ampliação do número de vagas, mas não se resume a isso. Com efeito, é crescente o movimento de grandes universidades brasileiras na direção dos contingentes de alunos da escola pública que se preparam para o funil do vestibular, como modo de combater o quadro de exclusão e desigualdade atualmente encontrado nas salas de aula das instituições públicas de ensino superior. Tais iniciativas, entretanto, caracterizam-se pela adoção de estratégias convencionais, baseadas sempre no ensino presencial e, por causa disso, limitam-se a um restrito raio de alcance. Para ilustrar: o curso pré-vestibular da Universidade de São Paulo (USP) disponibiliza apenas 5 mil vagas. O Aprovar - a despeito de carregar objetivos de longo prazo, porque carrega o germe da superação do notável quadro de exclusão do ensino superior - representa uma fratura no raciocínio que projeta a educação como resultado para o futuro. Pretende-se produzir efeito imediato: o ingresso de alunos oriundos da escola pública na universidade pública, a cada vestibular. Os fins institucionais que norteiam a UEA, na condição de academia amazônica, colocam-na diante do desafio de democratizar o acesso dos amazonenses ao seu universo discente e pelejar para a superação das racionalidades impermeáveis ao reconhecimento de uma cultura da Região. Essas reflexões tendem a pôr em cheque o conjunto de conceitos e modelos atuais de ensino, pesquisa e extensão, uma vez que o alcance da ação institucional da UEA, marcada pela incorporação de tecnologias avançadas de comunicação e de informática aos sistemas escolares, só pode mesmo ser apreendida de uma ótica global ou holística da realidade. Isso porque não se pode negar que, ao sermos obrigados a nos deter no estudo das possibilidades e limitações, dos benefícios e das armadilhas apresentadas pelas novas tecnologias, estamos atuando num contexto de desenvolvimento do País como um todo. Assim, a UEA existe e interfere num contexto de transformação significativa dos paradigmas de educação, de desenvolvimento e de civilização, tendo por base o reconhecimento de uma pluralidade de modelos, de culturas, de espiritualidades e diversificações socioeconômicas. Ciência e tecnologia são ambas indispensáveis para atingir essas metas, mas os resultados positivos somente podem ser alcançados por meio de uma reintegração da ciência e da cultura, de modo a assegurar um sentido de finalidade, por meio de um enfoque integrativo, com o objetivo de superar as fragmentações que conduziram a uma interrupção nas comunicações culturais em nosso Estado. |
![]() |
![]() |
© Aprovar 2010. Todos os direitos reservados. |